Pular para o conteúdo
Categoria: Organização Financeira8 min de leitura

Uso da declaração pré-preenchida do IR 2025 fica abaixo do esperado

Por Equipe 360CRED ·

Uso da declaração pré-preenchida do IR 2025 fica abaixo do esperado pela Receita, que planeja ampliar campanhas de orientação e melhorias na ferramenta.

A Receita Federal divulgou que a utilização da declaração pré-preenchida do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) em 2025 ficou aquém das expectativas. Mesmo com a ampla divulgação e os esforços para incentivar o uso da ferramenta digital, o número de contribuintes que optaram por esse modelo foi inferior ao projetado inicialmente pelo órgão. Segundo dados oficiais, pouco mais de 36% das declarações entregues até o momento utilizaram a versão pré-preenchida, número abaixo do patamar estimado pela Receita, que era de aproximadamente 50%. A funcionalidade, que visa simplificar o preenchimento e reduzir erros, é oferecida por meio do portal e-CAC e também pelo aplicativo Meu Imposto de Renda.

O que é a declaração pré-preenchida

A declaração pré-preenchida é um modelo facilitado de entrega do IR, no qual a Receita Federal insere previamente informações como rendimentos, despesas médicas, dados de fontes pagadoras, contribuições previdenciárias e movimentações financeiras. Essas informações são coletadas de bancos, empresas, planos de saúde e outros órgãos que enviam dados ao Fisco ao longo do ano anterior. O contribuinte pode revisar os dados e realizar correções ou complementações, se necessário, antes de finalizar o envio. O modelo tem como principal objetivo minimizar inconsistências e evitar que o cidadão caia na malha fina por erros simples ou omissões involuntárias, um dos problemas mais recorrentes entre quem preenche a declaração manualmente.

Fatores que dificultaram maior adesão

Um dos principais fatores apontados para a baixa adesão é a falta de familiaridade de parte dos contribuintes com o acesso digital via gov.br. O uso da conta nível prata ou ouro no portal de serviços públicos ainda é um entrave para muitos, principalmente entre pessoas que não possuem facilidade com recursos online, como parte da população de mais idade ou com menor acesso a tecnologia. Além disso, especialistas indicam que a desconfiança em relação à completude e exatidão dos dados inseridos automaticamente ainda é comum. Muitos contribuintes preferem preencher manualmente as informações, acreditando ter maior controle sobre o processo, mesmo que isso signifique mais tempo dedicado ao preenchimento e maior risco de erro humano. A ausência de campanhas mais incisivas de orientação também foi citada como um ponto que poderia ter influenciado os números.

Receita mantém otimismo e planeja melhorias

Apesar dos números abaixo do esperado, a Receita Federal avalia de forma positiva a evolução da adesão à ferramenta. Em 2024, a pré-preenchida foi utilizada por cerca de 27% dos contribuintes, o que representa um avanço significativo em 2025, mesmo sem alcançar a meta estipulada. A expectativa da instituição é de que, com o passar dos anos, mais pessoas passem a adotar o modelo, especialmente com a ampliação da base de dados e melhorias na integração entre sistemas. A Receita anunciou que pretende tornar a declaração pré-preenchida ainda mais completa nos próximos anos, automatizando novas categorias de despesas e rendimentos que hoje ainda dependem de preenchimento manual pelo contribuinte.

Vantagens da declaração automática

Entre as vantagens da declaração pré-preenchida está a redução do tempo gasto no preenchimento, já que boa parte das informações já chega pronta, restando ao contribuinte apenas a revisão e eventual complementação de dados específicos. Outro benefício relevante é a diminuição do risco de erros que levam à malha fina, já que os dados inseridos automaticamente já foram cruzados previamente pelo sistema da Receita com as informações declaradas por fontes pagadoras e instituições financeiras. Além disso, contribuintes que utilizam a declaração pré-preenchida e optam pela restituição via Pix costumam ter prioridade no cronograma de pagamento de restituições, um incentivo adicional criado pela Receita para estimular o uso da ferramenta.

Como acessar e usar a declaração pré-preenchida

Para utilizar o modelo, o contribuinte precisa acessar o portal e-CAC ou o aplicativo Meu Imposto de Renda com uma conta gov.br de nível prata ou ouro, que exige um processo de verificação de identidade mais robusto do que o nível bronze. Uma vez autenticado, o sistema carrega automaticamente as informações disponíveis na base da Receita referentes ao ano-calendário anterior. É recomendável revisar cuidadosamente cada campo preenchido automaticamente, comparando com informes de rendimento, recibos médicos e comprovantes de despesas dedutíveis, já que, embora a base de dados seja ampla, nem todas as informações chegam de forma completa ou correta à Receita, especialmente em casos de rendimentos de fontes menos comuns.

Malha fina: como a pré-preenchida ajuda a evitar problemas

A malha fina é o processo pelo qual a Receita Federal identifica inconsistências entre as informações declaradas pelo contribuinte e os dados recebidos de terceiros, como empregadores, bancos e planos de saúde. Como a declaração pré-preenchida já parte dessas informações oficiais, o risco de divergência é significativamente menor do que no preenchimento manual, no qual o contribuinte pode digitar um valor incorreto ou esquecer de declarar uma fonte de renda. Mesmo assim, é importante revisar atentamente os dados antes do envio, já que erros de terceiros, como um informe de rendimento enviado incorretamente por uma empresa, também podem gerar inconsistências mesmo na versão pré-preenchida.

Comparação com o preenchimento manual

O preenchimento manual da declaração, embora mais trabalhoso, ainda é preferido por parte significativa dos contribuintes, seja por hábito, seja por desconfiança em relação aos dados automáticos, seja por conta de situações patrimoniais mais complexas, como múltiplos imóveis, participação societária em empresas ou rendimentos no exterior, que exigem atenção detalhada e nem sempre são capturados de forma completa pelo sistema pré-preenchido. Para esse perfil de contribuinte, contar com apoio de um contador ou usar softwares especializados de declaração ainda costuma ser a opção mais segura, mesmo que a Receita continue ampliando o escopo de informações cobertas pela versão automática a cada ano.

Prazo e cronograma da declaração do Imposto de Renda

O período de entrega da declaração do Imposto de Renda costuma se estender por cerca de três meses, geralmente entre março e maio, com prazo final para envio no último dia útil de maio. Perder esse prazo sujeita o contribuinte obrigado a declarar a multa por atraso, calculada com base em um percentual do imposto devido, respeitado um valor mínimo estabelecido pela Receita Federal. Por isso, mesmo optando pela declaração pré-preenchida, é importante não deixar o envio para os últimos dias, já que eventuais inconsistências identificadas na revisão podem exigir tempo adicional para correção antes do envio final, principalmente em casos que envolvem múltiplas fontes de renda ou despesas dedutíveis mais complexas.

Quem é obrigado a declarar o Imposto de Renda

A obrigatoriedade de declarar o IR está ligada a critérios como valor total de rendimentos tributáveis recebidos no ano-calendário, posse de bens acima de determinado valor, movimentação em bolsa de valores e recebimento de rendimentos isentos acima de um limite específico, entre outras hipóteses definidas anualmente pela Receita Federal. Contribuintes que se enquadram em qualquer uma dessas situações precisam declarar, independentemente de optarem pelo modelo pré-preenchido ou pelo preenchimento manual tradicional, sob risco de sofrer as penalidades previstas em lei para quem deixa de cumprir essa obrigação.

Dicas para uma declaração sem erros, seja qual for o modelo

Independentemente da opção escolhida, alguns cuidados ajudam a reduzir o risco de cair na malha fina. Reunir com antecedência todos os informes de rendimento, recibos médicos, comprovantes de despesas com educação e documentos de compra e venda de bens realizados no ano evita a correria de última hora. Conferir se todos os dependentes declarados possuem CPF regularizado, e verificar se os valores informados por diferentes fontes pagadoras batem com o que consta nos informes recebidos, também são passos importantes. Guardar os comprovantes por, no mínimo, cinco anos após o envio da declaração é outra recomendação relevante, já que esse é o prazo em que a Receita pode solicitar documentação complementar em caso de dúvida sobre alguma informação declarada.

Perguntas frequentes

A declaração pré-preenchida garante que não haverá erros? Não totalmente; é fundamental revisar os dados antes de enviar, já que informações de terceiros também podem conter inconsistências. É obrigatório usar a conta gov.br nível ouro ou prata? Sim, o acesso à declaração pré-preenchida exige um nível de verificação de identidade mais alto do que o nível bronze, por questões de segurança das informações fiscais do contribuinte. Quem usa a pré-preenchida recebe a restituição mais rápido? Contribuintes que utilizam esse modelo e optam pelo Pix como forma de recebimento costumam ter prioridade no cronograma de pagamento das restituições, segundo critérios definidos pela própria Receita Federal.

Conclusão

Embora o uso da declaração pré-preenchida do IR 2025 tenha ficado abaixo da meta estipulada pela Receita Federal, o crescimento em relação a 2024 mostra uma tendência de adoção gradual da ferramenta pelos contribuintes brasileiros. Superar entraves como a familiaridade com o acesso digital e a desconfiança em relação à completude dos dados automáticos será fundamental para que a Receita alcance patamares mais altos de adesão nos próximos anos, especialmente à medida que a base de informações integradas ao sistema se tornar mais ampla, precisa e confiável para o contribuinte que ainda hesita em migrar do modelo manual. Até lá, a coexistência entre os dois modelos de preenchimento deve continuar, cabendo a cada contribuinte avaliar qual opção se encaixa melhor na complexidade da própria situação patrimonial e no nível de conforto com ferramentas digitais do governo.

Leituras relacionadas

Nenhum comentário ainda

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário

Entre com sua conta Canverly para comentar. Você pode usar a mesma conta em qualquer site da rede.

Entrar com Canverly