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Categoria: Cartão de Crédito8 min de leitura

Dinheiro é a principal causa de brigas entre casais, aponta pesquisa

Por Equipe 360CRED ·

Mais da metade dos casais brasileiros afirma que dinheiro é a principal causa de brigas, revela pesquisa da Serasa.

Às vésperas do Dia dos Namorados, uma pesquisa nacional revelou que o tema financeiro continua sendo um grande ponto de atrito entre casais brasileiros. Segundo levantamento realizado pela Serasa, 53% dos entrevistados afirmaram que o dinheiro é o principal motivo de brigas em seus relacionamentos. As decisões tomadas por impulso são destacadas como a maior fonte de conflito, seguidas pela falta de planejamento financeiro (33%) e os gastos excessivos com itens considerados supérfluos (32%). Esses comportamentos geram tensão e podem minar a convivência saudável entre os parceiros, mesmo em relacionamentos que funcionam bem em outros aspectos do dia a dia.

Falar sobre dinheiro ainda é um tabu para muitos

Apesar da alta incidência de conflitos, 65% dos casais relataram que conversam abertamente sobre dinheiro, e 58% afirmaram que fazem o planejamento financeiro juntos. No entanto, o estudo também mostra que 49% das pessoas já esconderam problemas financeiros do parceiro em algum momento do relacionamento. Para a psicóloga Valéria Meirelles, especialista em finanças comportamentais, esse comportamento configura o que se chama de "infidelidade financeira". Segundo ela, a vergonha de assumir dificuldades com o dinheiro ou o medo de perder o parceiro estão entre os principais motivos para a omissão. "Muitos casais acabam caindo nessa situação de infidelidade financeira por não conseguirem lidar com seus próprios erros ou medos relacionados ao dinheiro", explica Valéria.

O que caracteriza a infidelidade financeira

A infidelidade financeira vai além de simplesmente não contar sobre uma dívida específica: ela inclui gastos escondidos, contas ou cartões de crédito que o parceiro não conhece, empréstimos contraídos sem avisar, e até investimentos ou compras significativas feitas sem consultar o outro em relacionamentos nos quais existe um acordo, explícito ou implícito, de decidir esse tipo de gasto em conjunto. Esse tipo de comportamento, mesmo quando não envolve valores altos, corrói a confiança do casal de forma similar a outros tipos de omissão em um relacionamento, já que o parceiro que descobre a situação tende a questionar o que mais pode não estar sendo compartilhado.

Relacionamentos e dívidas: um risco real

A pesquisa também revela que 4 em cada 10 brasileiros já ficaram com o nome negativado por causa de um relacionamento. Além disso, 45% afirmaram ter herdado dívidas de seus parceiros mesmo após o término da relação, mostrando que os impactos financeiros de uma união mal administrada podem se estender por muito tempo, inclusive depois que o relacionamento em si já terminou. Esse cenário desperta uma maior cautela na fase de início de relacionamentos: pelo menos 10% das pessoas já admitiram ter consultado o CPF e o Score do parceiro antes de assumir um compromisso sério, e 24% disseram que estariam dispostos a fazer esse tipo de investigação caso ainda não tivessem feito.

De acordo com a especialista, conhecer o estilo de vida, os hábitos de consumo e a maneira como o parceiro lida com o dinheiro é fundamental antes de assumir compromissos financeiros conjuntos, como um financiamento ou um contrato de aluguel em nome dos dois. "Dinheiro é coisa séria, pede ética, planejamento e cuidado. É necessário ter maturidade financeira ao se envolver com outra pessoa", afirma Valéria.

Como conversar sobre dinheiro sem gerar conflito

Especialistas em finanças comportamentais recomendam algumas práticas para tornar essas conversas menos tensas dentro do casal: escolher um momento calmo, fora de situações de estresse ou de uma discussão já em andamento, para tratar de finanças; falar sobre objetivos comuns antes de entrar em detalhes de gastos individuais, já que isso ajuda a alinhar expectativas antes de discutir números específicos; e evitar tom acusatório, focando em soluções conjuntas em vez de atribuir culpa por decisões passadas. Definir uma revisão financeira periódica, seja mensal ou quinzenal, também ajuda a transformar essas conversas em rotina, e não em um evento raro e carregado de tensão emocional acumulada.

Contas conjuntas, separadas ou um modelo híbrido

Outro ponto que costuma gerar dúvidas entre casais é a forma de organizar as finanças: manter contas totalmente separadas, unificar tudo em uma conta conjunta, ou adotar um modelo híbrido, no qual cada um mantém uma conta individual e contribui proporcionalmente para uma conta compartilhada destinada às despesas comuns da casa. Não existe modelo universalmente melhor: o que funciona depende do estilo de vida, da diferença de renda entre os parceiros e do nível de confiança e transparência já estabelecido no relacionamento. O importante é que o modelo escolhido seja definido em conjunto, e não imposto por apenas um dos parceiros, para evitar ressentimentos futuros sobre a forma como as finanças são administradas.

Importância do alinhamento financeiro no casal

O estudo reforça que conversar sobre finanças, alinhar objetivos e entender as expectativas para o futuro são ações essenciais para uma convivência mais equilibrada. A falta de diálogo sobre temas como orçamento, dívidas, investimentos e metas pode gerar frustrações e desentendimentos desnecessários, especialmente quando um dos parceiros descobre tardiamente que os planos financeiros de ambos não estavam, de fato, alinhados. Além disso, estabelecer regras claras e responsabilidades conjuntas pode ajudar na prevenção de conflitos, o que vale especialmente para casais que compartilham despesas fixas ou pretendem construir patrimônio em conjunto ao longo dos próximos anos.

O papel da educação financeira desde o início do relacionamento

Muitos dos conflitos financeiros que surgem dentro de um relacionamento têm raiz em hábitos individuais construídos muito antes de o casal se conhecer, moldados pela forma como cada pessoa foi criada e pela relação que teve com o dinheiro ao longo da vida. Reconhecer que os dois parceiros podem ter perspectivas bem diferentes sobre gastar, poupar e investir, sem que isso signifique que um dos dois está certo e o outro errado, é um passo importante para reduzir o julgamento nas conversas sobre finanças. Buscar, juntos, conteúdos de educação financeira, seja em cursos, livros ou podcasts, pode ajudar o casal a construir um vocabulário e uma visão de mundo mais alinhados sobre o tema, tornando as decisões conjuntas mais fáceis ao longo do tempo e reduzindo a chance de mal-entendidos sobre prioridades de gasto e poupança.

Sinais de alerta que merecem atenção no relacionamento

Alguns comportamentos merecem atenção especial dentro de um relacionamento, por representarem risco maior de problemas financeiros mais sérios no futuro: recusa persistente em discutir dinheiro, mesmo quando o assunto é levantado de forma tranquila pelo parceiro; descobertas recorrentes de gastos ou dívidas escondidas; e resistência a estabelecer qualquer tipo de planejamento conjunto, mesmo para despesas compartilhadas do dia a dia. Esses sinais, quando identificados cedo, podem ser trabalhados com diálogo aberto ou, em casos mais complexos, com apoio de terapia de casal com foco em finanças comportamentais, evitando que o problema se agrave e comprometa a confiança na relação como um todo ao longo dos anos seguintes de convivência.

Perguntas frequentes

Vale a pena consultar o score do parceiro antes de assumir um compromisso financeiro conjunto? Pode ser uma forma de entender melhor o histórico financeiro do outro antes de decisões como financiar um imóvel juntos, mas o ideal é que essa consulta aconteça com conhecimento e consentimento de ambas as partes, como parte de uma conversa aberta sobre finanças. Como lidar quando um dos parceiros gasta muito mais que o outro? Definir um limite de gastos individuais que não precisa de consulta prévia, e reservar apenas decisões de maior valor para conversa conjunta, costuma reduzir o atrito sem exigir controle excessivo sobre a autonomia financeira de cada um. Terminar o relacionamento resolve dívidas contraídas em conjunto? Não necessariamente; dívidas assumidas em nome de ambos, como um financiamento conjunto, continuam existindo após o término e precisam ser formalmente resolvidas entre as partes.

Como o Dia dos Namorados evidencia esse tipo de tensão

Datas comemorativas como o Dia dos Namorados costumam colocar em evidência as diferenças de visão financeira dentro do casal, já que envolvem decisões de gasto que exigem algum grau de alinhamento sobre valor considerado adequado para presentes, jantares e programações especiais. Para casais que já enfrentam tensão financeira ao longo do ano, esse tipo de data pode se tornar mais um gatilho de conflito, especialmente quando um dos parceiros valoriza gestos mais elaborados e o outro prioriza economia ou tem restrições orçamentárias naquele momento específico. Conversar com antecedência sobre expectativas para esse tipo de data, definindo um valor confortável para ambos, evita que o momento que deveria ser de celebração se transforme em mais uma fonte de desentendimento sobre dinheiro.

Conclusão

Dinheiro é, comprovadamente, um dos temas mais sensíveis dentro de um relacionamento, capaz de gerar conflitos mesmo entre casais que se dão bem em outros aspectos da convivência. Construir uma relação mais transparente com as finanças, conversando abertamente sobre metas, dívidas e hábitos de consumo, é o caminho mais eficaz para reduzir o atrito e fortalecer a confiança mútua. Como destaca a pesquisa, o diálogo franco sobre dinheiro, embora nem sempre confortável, é o que diferencia casais que conseguem transformar as finanças em um projeto conjunto daqueles que carregam o tema como uma fonte permanente de tensão ao longo de toda a relação, mesmo quando outros aspectos da convivência funcionam relativamente bem no dia a dia do casal.

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